A Paróquia

stoanotnio

A Matriz de Santo Antônio, em Guarus, foi festivamente inaugurada no dia 6 de setembro de 1874, sendo benzida às 4 horas da tarde. As festividades prosseguiram no dia seguinte, com a transladação da Imagem do Padroeiro de Guarus, como então chamado o antigo VI Distrito de Campos; hoje transformado em bairro da cidade. O novo templo viera substituir a pequena capela de um aldeamento de índios na localidade, para ela sendo também transportadas todas as demais imagens que lá se encontravam.

Na entrada das Imagens houve sermão oficiado pelo Padre Joaquim José Teixeira de Castro, que ali chegara à frente da Procissão. No dia 8 de setembro foi celebrada a Festa de Santo Antônio, com missa cantada e sermão proferido pelo Padre Antônio Pereira Nunes, sendo a orquestra regida pelo Maestro Manoel Baptista de Castro.

Como começou

Tudo começou em 1659, quando dois missionários franceses conseguiram com que alguns índios aceitassem se assentar numa aldeia de Guarulhos. Com o tempo, os índios se rebelaram, até que em 1682 a aldeia foi entregue pela Coroa à Ordem de Santo Antônio do Rio de Janeiro. Mas quando os missionários chegaram para substituir os capuchinhos franceses, já encontraram a aldeia catequizada e erguida uma capela de palha.

Decidiu o Padre Ângelo Pessanha substituir a capela por outra, construída com pedras e telhas de barro, passando, ainda a cultivar as terras em volta, nas quais foram plantados milho, feijão e mandioca, além da criação de galinhas, gado e cavalos.

Com o tempo, dos 500 índios aldeados em 1682, em, 1706 só restavam 37 casais. Estes receberam as terras junto à aldeia, mas elas já estavam incorporadas à Fazenda Moriboca, do Colégio Jesuíta do Espírito Santo, que, por sua vez, já haviam aforado a sesmaria a diversos lavradores. Este fato revoltou os índios, seguindo-se violentas lutas que se prolongaram por diversos anos. Muitos índios que haviam retornado a aldeia tiveram que fugir novamente para o sertão. Alguns poucos, porém, já catequizados, continuaram submissos aos missionários.

A obra continua

A capela do aldeamento indígena se situava às margens do rio Muriaé. Quando da deterioração da capela, devido às lutas entre fazendeiros e índios, alguns proprietários rurais decidiram pela construção de uma nova igreja, desta vez, à margem do rio Paraíba. Corria o ano de 1852, quando dessa decisão.

Em 1855 a primeira pedra da nova construção foi conduzida por uma canoa enfeitada até o terreno escolhido para a Igreja, que fora adquirido pelo Barão de Muriaé. A área media 100 X 50 braças. João Peixoto de Siqueira fez a adoção de todas as portas do templo e formou-se uma comissão para tratar das obras. Nesta  comissão estavam: Barão de Muriaé, Barão de Itabapoana e José Francisco da Cruz Peixoto.

Embora iniciada com grande ânimo, as obras foram logo depois interrompidas e só em abril de 1857 retomadas, ficando os alicerceis prontos no mesmo mês e, em junho, levantadas as paredes. A planta inicial apresentava um zimbório que não chegou a ser construído.

Na sessão da Câmara Municipal de 17 de julho de 1865, os vereadores Thomaz Coelho e Joaquim Faria, propuseram que se entregasse ao Pároco de Guarulhos a obra da Matriz, assim, como o material ali existente, tendo o sacerdote se compromissado a prosseguir com a edificação.

Assim a obra foi entregue ao Vigário Joaquim Pacheco, que desenvolveu intensa campanha para a conclusão do templo, que é considerado um dos mais belos da cidade, com suas simétricas arcadas e colunas quadranguladas. O Vigário Joaquim Pacheco esteve à frente da Paróquia de Guarulhos durante 40 anos, sendo muito estimado por todos.